No meu primeiro dia de aula eu estava com medo de ir sozinha, então pedi pra minha mãe ir comigo até lá, disse que seria apenas no primeiro dia de aula, e que no dia seguinte já iria sozinha. Como ela não nega nada pra mim disse que iria, e então as 7:45 a gente saiu de casa e fomos rumo em direção a escola.
Vi um bando de gente desconhecida na minha frente, eles estavam esperando as portas da escola se abrirem, mas eu não me juntei a eles, entrei na escola com a minha mãe, pois ela disse que queria retirar algumas dúvidas na secretaria, como horários, lista de materiais... Essas coisas básicas e muito importantes.O sinal bateu, fazia tanto tempo que eu não ouvia aquele som... Foi boa aquela sensação familiar, parece bobeira, mas simples sons, cheiros, ou até rostos, podem te fazer sentir em casa quando você está a kilometros de distância. Naquele mesmo dia, quando eu estava entrando na escola eu vi uma garota e o meu coração se acelerou, parecia uma amiga minha de longa data, Marie, mas era apenas uma desconhecida. Quando eu percebi me frustrei. Como quando você sonha que você faz parte da sua série favorita, é a fodona, está arrasando matando zumbis, e de repente acorda e vê que nada daquilo é real.
Continuando... O sinal bateu e uma zeladora da escola muito simpática me acompanhou até a sala, mas antes disso eu me despedi da minha mãe. Eu cheguei na sala de aula, todos se levantaram e falaram juntos : " Benvenuta alla nostra classe ". Que significa : " Bem-vinda a nossa classe ". Eu estava travada, meu coração estava batendo numa velocidade muito veloz, eu não tinha noção alguma de como falar em Italiano eu fiquei quieta apenas observando, quando por sorte eu vi um livro em cima da mesa de um dos alunos, estava escrito : " Look Again ", era aula de inglês, e a professora seria uma perfeita tradutora!
Ela era super simpática, se chamava Alessandra, minha primeira professora fora do Brasil. Me recebeu super bem, disse que tinha reservado um lugar pra mim, obviamente falou tudo isso em inglês. O lugar era bem no meio, o primeiro banco da fila, muito bom para uma miope como eu. Enquanto eles seguiam a aula dela eu estava escrevendo um texto, em inglês, sobre oque eu estava achando dessa brusca mudança na minha vida, das pessoas, lugares e coisas que mais sentia saudades do meu "habitat natural". Enquanto observava as minhas letras cursivas pensava em tudo oque eu vivi, em cada momento, percebi os meus olhos cheios de lágrimas, mas me segurei.
Essa não foi a primeira mudança brusca que eu fiz na minha vida, quando eu tinha seis anos de idade me mudei com os meus pais para a Espanha, novamente a trabalho, mas ficamos apenas por um mês, e como eu era muito pequena não notei muita diferença. Na verdade senti saudades do meu priminho, Louis, que na época tinha uns 2 anos...
A aula seguinte foi de Educação Fisica, mas eu tinha ido de botas no primeiro dia de aula e não pude realiza-la. Fiquei sentada ao lado da garota que anota os pontos de cada time, ela era gente boa, batemos um bom papo, mesmo eu não tendo entendido boa parte daquilo que ela me disse. Eu estava ficando com fome, não via a hora que o recreio chegasse, mas para a minha felicidade ela disse que depois daquela aula ia ser o recreio!
Fiquei sentada comendo com pressa pois o recreio terminaria em uns 00:9 minutos. Quando vejo uma garota asiática ao meu lado, se apresentando. Ela disse que estava na mesma, tinha chegado a apenas 3 meses e também não falava Italiano. Perguntei de onde ela era, e ela disse que vinha das Filipinas, estava explicado o porque ela falava inglês bem daquele jeito.
Ela me disse que tinha uma aula especial para estrangeiros, por exemplo, a gente estava durante a aula de artes, e então chegava uma professora que nos levava até uma sala com outros estrangeiros que assim como a gente não falavam italiano, para aprender verbos, regras gramaticais e coisa desse tipo. Eu logo fiquei pensando nessa professora " A salvadora " aparecendo numa aula de matemática pra levar a gente pra essa aula... Já estava gostando da ideia... Nunca fui de exatas, mais de biológicas e humanas.
As aulas seguiram com ciências, história e duas aulas de italiano.
Durante a aula eu comecei a ficar triste, com saudades de casa, pensando no meu retorno, pensando em rever as pessoas que amo que deixei para trás, como as coisas estariam quando eu voltasse, mas sabia que não iria voltar tão cedo, e isso me perturbava.
Não sei se irei conseguir expressar todos os meus sentimentos nesse livro, talvez você nunca entenda oque é sentir saudades de casa, talvez você nunca se sinta num mundo paralelo, ou nunca se sinta triste ao ponto de chorar horas de baixo das cobertas, mas a moral da historia que importa, e não como eu sofri, mas sim como sobrevivi, mas lembrando que esse não é um livro de auto-ajuda, se você quiser ajuda, procure um psicólogo ou conselhos de amigo, porque esse livro não vai te ajudar com isso, ou talvez sim.
Mas a vida é muito curta pra chorar...
- " A vida é a vida e ela deve ser vivida " 2014.
Espero que tenham gostado!
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