quarta-feira, 30 de março de 2016

Parte lll- Choque de realidade - primeira parte

Meu modo de contar histórias é um tantinho diversivo do das outras pessoas. Não estou afim de contar oque aconteceu durante aqueles longos 4 meses, vazios e desconfortantes, mas acho que seria interessante partir para a ação.
Aqui aonde moro, e acho que em toda ou quase toda Europa, as férias mais longas, são aquelas do meio do ano, e duram 3 meses, oque pode parecer legal, tipo,  fazer maratona de um monte de séries,


relaxar, viajar... Mas, eu fiquei todo esse tempo sem viajar, sem amigos e sem nada, na verdade, tinha amigos, amigos virtuais.
FOTO TIRADA POR MIM
Pesquisei no Google alguns lugares turísticos para ir visitar, e achei um lugar chamado Jardim das rosas, ficava meio longe da minha casa, e estava muito quente, mas eu precisava de qualquer maneira sair um pouco de casa.
Em uma hora eu tinha chego ao meu destino, demorei todo esse tempo por diversos motivos, um, eu estava andando devagar, dois parei num supermercado para comprar uns snacks, e o outro motivo é que eu fui a pé.
O lugar era bonito, calmo, verde, e por sorte sem muitos turistas. Quando cheguei, me deparei com uma plaquinha indicando para qual lado eu deveria ir se quisesse chegar a um jardim japonês, foi então que eu decidi pra onde ir, afinal de contas, de acordo com oque a placa dizia era um lugar calmo... Ao chegar ali, para a minha surpresa não tinha ninguém ali além de mim, fiquei feliz, achei um banquinho velho de madeira e me sentei, e senti uma coisa que não sentia a muito tempo, me senti sozinha, mas o lado positivo, foi que eu me encontrei.
Eu acho que um dos motivos pelo os quais eu decidi iniciar a contar a minha história aqui, foi ajudar as pessoas que estão  passando pela a mesma situação do que eu, ou quase igual a mim e também a ajudar a mim mesma, desabafando, então vamos lá:

Vou contar as coisas que passaram pela minha mente naquele momento, e reflexões que ainda passam dentro da minha cabeça.
Em relação  aos Italianos adolescentes, eu não tenho muitas coisas positivas pra falar, eles são sínicos, rudes , se acham melhores e são os falsos dos falsos, mas obviamente não são todos que são assim, mas posso afirmar que oitenta por cento são dessa maneira. Na escola eu tenho amigos, mas apenas dois são Italianos, que são mais colegas do que amigos, me ajudam de vez em quando, e eu admiro isso, sou grata, mas quando eles tem a oportunidade de falar com outras pessoas, ou ir lanchar com um outro grupinho, eles vão, o problema dos Italianos  é que eu não sei por qual motivo, eles não criam laços com os outros, ou não os criam comigo, porque eu sou estrangeira.
O fato de ser estrangeiro, para muitos aqui se transformou num problema, porque você acaba meio que não sendo aceito se não for como eles, alguns, acabam sendo afetados de tal forma que se tornam praticamente Italianos e no fundo acabam ficando com preconceito do próprio país da própria nação, acho isso muito triste, pelo simples fato de você estar se moldando de forma negativa para agradar os outros, e fazer falsas amizades sendo quem você não é, e as vezes você faz esse joguinho por tanto tempo que acaba acreditando nele.








domingo, 31 de janeiro de 2016

Parte ll - Preimeiro dia de aula.

Eu acordei as 7:00 da manhã, a minha primeira aula iria começar as 8:00, e eu morava perto da escola, uns 00:5 minutos a pé pra ser mais precisa.
No meu primeiro dia de aula eu estava com medo de ir sozinha, então pedi pra minha mãe ir comigo até lá, disse que seria apenas no primeiro dia de aula, e que no dia seguinte já iria sozinha. Como ela não nega nada pra mim disse que iria, e então as 7:45 a gente saiu de casa e fomos rumo em direção a escola.
Vi um bando de gente desconhecida na minha frente, eles estavam esperando as portas da escola se abrirem, mas eu não me juntei a eles, entrei na escola com a minha mãe, pois ela disse que queria retirar algumas dúvidas na secretaria, como horários, lista de materiais... Essas coisas básicas e muito importantes.
O sinal bateu, fazia tanto tempo que eu não ouvia aquele som... Foi boa aquela sensação familiar, parece bobeira, mas simples sons, cheiros, ou até rostos, podem te fazer sentir em casa quando você está a kilometros de distância. Naquele mesmo dia, quando eu estava entrando na escola eu vi uma garota e o meu coração se acelerou, parecia uma amiga minha de longa data, Marie, mas era apenas uma desconhecida. Quando eu percebi me frustrei. Como quando você sonha que você faz parte da sua série favorita, é a fodona, está arrasando matando zumbis, e de repente acorda e vê que nada daquilo é real.
Continuando... O sinal bateu e uma zeladora da escola muito simpática me acompanhou até a sala, mas antes disso eu me despedi da minha mãe. Eu cheguei na sala de aula, todos se levantaram e falaram juntos : " Benvenuta alla nostra classe ". Que significa : " Bem-vinda a nossa classe ". Eu estava travada, meu coração estava batendo numa velocidade muito veloz, eu não tinha noção alguma de como falar em Italiano eu fiquei quieta apenas observando, quando por sorte eu vi um livro em cima da mesa de um dos alunos, estava escrito : " Look Again ", era aula de inglês, e a professora seria uma perfeita tradutora!
Ela era super simpática, se chamava Alessandra, minha primeira professora fora do Brasil. Me recebeu super bem, disse que tinha reservado um lugar pra mim, obviamente falou tudo isso em inglês. O lugar era bem no meio, o primeiro banco da fila, muito bom para uma miope como eu. Enquanto eles seguiam a aula dela eu estava escrevendo um texto, em inglês, sobre oque eu estava achando dessa brusca mudança na minha vida, das pessoas, lugares e coisas que mais sentia saudades do meu "habitat natural". Enquanto observava  as minhas letras cursivas pensava em tudo oque eu vivi, em cada momento, percebi os meus olhos cheios de lágrimas, mas me segurei.
Essa não foi a primeira mudança brusca que eu fiz na minha vida, quando eu tinha seis anos de idade me mudei com os meus pais para a Espanha, novamente a trabalho, mas ficamos apenas por um mês, e como eu era muito pequena não notei muita diferença. Na verdade senti saudades do meu priminho, Louis, que na época tinha uns 2 anos...
A aula seguinte foi de Educação Fisica, mas eu tinha ido de botas no primeiro dia de aula e não pude realiza-la. Fiquei sentada ao lado da garota que anota os pontos de cada time, ela era gente boa, batemos um bom papo, mesmo eu não tendo entendido boa parte daquilo que ela me disse. Eu estava ficando com fome, não via a hora que o recreio chegasse, mas para a minha felicidade ela disse que depois daquela aula ia ser o recreio!
Fiquei sentada comendo com pressa pois o recreio terminaria em uns 00:9 minutos. Quando vejo uma garota asiática ao meu lado, se apresentando. Ela disse que estava na mesma, tinha chegado a apenas 3 meses e também não falava Italiano. Perguntei de onde ela era, e ela disse que vinha das Filipinas, estava explicado o porque ela falava inglês bem daquele jeito.
Ela me disse que tinha uma aula especial para estrangeiros, por exemplo, a gente estava durante a aula de artes, e então chegava uma professora que nos levava até uma sala com outros estrangeiros que assim como a gente não falavam italiano, para aprender verbos, regras gramaticais e coisa desse tipo. Eu logo fiquei pensando nessa professora " A salvadora " aparecendo numa aula de matemática pra levar a gente pra essa aula... Já estava gostando da ideia... Nunca fui de exatas, mais de biológicas e humanas.
As aulas seguiram com ciências, história e duas aulas de italiano.
Durante a aula eu comecei a ficar triste, com saudades de casa, pensando no meu retorno, pensando em rever as pessoas que amo que deixei para trás, como as coisas estariam quando eu voltasse, mas sabia que não iria voltar tão cedo, e isso me perturbava.
Não sei se irei conseguir expressar todos os meus sentimentos nesse livro, talvez você nunca entenda oque é sentir saudades de casa, talvez você nunca se sinta num mundo paralelo, ou nunca se sinta triste ao ponto de chorar horas de baixo das cobertas, mas a moral da historia que importa, e não como eu sofri, mas sim como sobrevivi, mas lembrando que esse não é um livro de auto-ajuda, se você quiser ajuda, procure um psicólogo ou conselhos de amigo, porque esse livro não vai te ajudar com isso, ou talvez sim.
Mas a vida é muito curta pra chorar...


- " A vida é a vida e ela deve ser vivida " 2014.


Espero que tenham gostado!


sábado, 30 de janeiro de 2016

Parte l - Um triste adeus... Um belo começo...

Bom, eu sinceramente não sei como começar esta história, talvez contando como tudo aconteceu... A história que você está prestes a ler é diferente, juro que não sei em que modo é diferente, apenas aceite o fato que é. 

Me chamo Anna, atualmente vivo em Florença, Itália. Mas o objetivo atual é focar no passado, não no presente. Bem, antes de me mudar para cá junto com a minha família, morava numa pequena cidadezinha no interior do país, se você já morou numa cidade pequena do interior, sabe como é... As pessoas vivem muito de aparências. Mais do que o normal. As fofocas rolam soltas, viajam por toda a parte, as pessoas parcelam seus celulares de marca em doze vezes e ficam pagando de ricas, e se você não está dentro do ridículo "Padrão" da sociedade, será julgado.

Eu sinceramente não compreendo. Viver de aparências?! Onde as pessoas estão com a cabeça? Casar com alguém por um interesse qualquer que não seja amor, falar com alguém apenas pelo fato de que esse alguém é bem sucedido, sentir inveja de alguém porque usa roupas de marca... Mas quem sou eu pra julgar, eu sou apenas uma garota qualquer, apenas um outro indivíduo num mundo de 8 bilhões de indivíduos. Oque eu penso, nem deve importar muito para as outras pessoas, mas importa para mim, e é o suficiente.

Mas esse não vai ser um livro falando como as pessoas podem ser superficiais de vez em quando, ou sempre, não, vai ser uma mistura de filosofias de vida, de acordo com o ponto de vista de uma garota de 13 anos de idade e pra completar, um pouco de fantasia.

Eu acordava todos os dias as sete e meia, no inverno a essa hora, ainda estava escuro do lado de fora. Se tem uma coisa nessa vida que eu não gosto é acordar cedo, e a coisa fica pior ainda quando está frio e você sabe que todo esse esforço é pra ir pra escola. 

A escola pode ser legal de vez em quando. Normalmente, quando tem duas aulas seguidas daquele professor engraçado, ou quando vai ter o seu prato favorito no almoço, mas infelizmente não é sempre assim, na maior parte das vezes serão muitas aulas chatas, com fundamento, mas chatas, e pra completar sempre terão aquelas patricinhas medíocres de filme americano pra te encher o saco.

O fato é que, tudo, tudo, cada coisa que você faz, cada atitude que você toma, tudo, tudo, tudo, sempre vai ter um motivo. Não sou do tipo que acredita em coincidências, creio que tudo, ou quase tudo que acontece, tem um motivo. E creio também que se a gente tomasse as decisões certas, poderíamos fazer das nossas vidas digamos um tanto mais... Interessantes. Creio que UMA simples atitude, possa mudar uma história INTEIRA.

Me lembro direitinho, como se fosse ontem, tinha acabado de chegar em uma nova escola, uma escola particular, organizada e cheia de gente "metida". Bom isso é oque circulava nas outras escolas... Eu estava linda, radiante, feliz e ansiosa para o meu novo começo. Eu não sei se sou a única, mas sempre que eu entrava numa nova escola, eu queria criar uma nova eu, queria criar uma Anna modelo, aquela que eu sempre sonhei de ser, talvez uma hipster, uma patricinha, uma nerd... Enfim, queria ter uma personalidade forte, e como eu já mudei de escola inúmeras vezes, tentei ser de tudo, mas no final das contas sempre acabavam descobrindo a verdadeira Anna, a amante de história, a palhaça da classe, a mante de zumbis que sonha em ter um futuro brilhante!

Ao chegar nessa nova escola fiquei feliz, pois pela primeira vez, queria ser eu mesma, nada de personalidade oculta, apenas eu.

Como eu não sou boba nem nada, logo de cara já percebi quem "Comandava" ou pensava de comandar. Era uma garota, pra ser sincera, ela era bem feia, mas isso não me importa, se ela fosse legal já estaria ok. Todos ficavam perto dela, queriam falar com ela, estar na presença dela, mas isso não foi oque aconteceu no meu primeiro dia de aula. Pelo oque eu sei, é sempre assim, ou quase sempre assim, quando tem novato (a) na área, não importa o quão popular você seja, quem acabou de chegar que comanda, pelo ou menos no ensino fundamental II, é como se você tivesse um super poder, ou coisa do tipo, todos querem falar com você, ser seu amigo, mas é tudo falsidade, é apenas porque você acabou de chegar, e eu sabia disso.

O estranho é que até a garota popular, Emma, estava tentando ser gente boa comigo. Talvez eles não fossem como dizem, talvez sejam legais eu pensei, mas lembre-se : CONFIE NO SEU INSTINTO!
Eles continuaram legais comigo por uns meses, até as coisas começarem a mudar, eles pensavam que eu era uma marionete como os outros, que pra andar com gente popular eu faria de tudo, mas eles se enganaram. Eu tenho uma personalidade forte, mas não é todo mundo que sabe disso. Começaram a me excluir, de passeios, conversas, recreio... E eu fiquei com um sentimento péssimo, uma mistura de raiva com tristeza. Mas eu superei.

Não diria que foi Bullying, mas foi quase. Não sei a definição exta de Bullying, então talvez tenha sido. Foi uma fase bem ruim, mas nada de impossível de controlar. Uma Anna estranha estava surgindo dentro de mim... Raiva?... Talvez...

Um belo dia, eu não aguentei e tive que colocar toda a minha ira pra fora. No meio da aula começou a rolar uma discussão, daquelas que começam com a professora falando que foi no mercado e terminam com pessoas na direção, pra ser mais exata, que terminam, comigo na direção.

Como em todo lugar, existem idiotas que dão razão a outros idiotas, apenas por que eles estão no topo da pirâmide social, ou pensam de estar. Eu apenas disse verdades que me fizeram ir pra direção.

Por sorte a diretora percebeu que eu era a dona da razão, mas pra não causar problemas deixou o assunto quieto. Foi assim que a guerra começou, porque a dona da razão aqui, não consegue guardar a raiva pra si.

Muita gente disse que eu tive coragem de enfrentar a professora e a menina mais popular da sala, mas pra mim foi mole, elas não eram nada além de pessoas, e eu não temo muito as pessoas, na verdade um pouco, pra ser sincera, mas não a pessoas como elas, até porque elas não podiam fazer nada contra mim. E quem é Emma na história da arte?? Hein?... Exato, ninguém. Ela era apenas uma garota metida que queria atenção e que controlava pouco mais de vinte pessoas dentro de uma classe. E agora me vem em mente de novo uma outra perguntinha : Oque são vinte pessoas perto do mundo? Perto do universo? Um pontinho no meio do nada.

Depois de ficar de saco cheio com aquela situação péssima, a minha mãe me mudou de sala, eu fui parar na turma da tarde. Não sei por qual motivo não fiz isso antes.

Logo de cara eu fiz amizades, eles eram muito legais, engraçados, verdadeiros e com a dose perfeita de loucura pra me fazer sentir em casa!

A primeira pessoa que eu fiz amizade foi a Juliet, ela era muito engraçada, simpatica e diferente dos outros, adorava ela. Como toda boa amizade não é perfeita, a gente vivia brigando, até que um dia a gente deu certo e nos tornamos grandes amigas! Uma das coisas que mais gostava nela, era o seu jeito de levar a vida... Como se não houvesse amanhã.

O fato é que os meus pais tiveram que se mudar, não de casa, não de bairro, não de cidade, e nem ao menos de estado e sim de continente. Exato, mudança, a trabalho.

A vida é uma caixinha de surpresas, logo quando você pensa que tudo começa a se ajeitar você tem que passar por uma mudança brusca como essa...

Foi complicado, eu chorei, oh se chorei... No final da aula, dias antes de eu ir embora, todo mundo me deu um abraço bem forte e começamos a chorar, foi triste. O engraçado é que não foi tipo, como se eu estivesse indo pra outro continente, e sim que eu estava indo pra guerra, eu sei é estranho, mas eu estava muito triste.

Digamos que enquanto eu estava no aeroporto, eu estava feliz, ansiosa e cheia de esperanças pra conhecer um outro lugar, um lugar novo pra mim, inexplorado... Me lembro como se fosse ontem, eu estava numa lojinha, comprando chocolate suíço, e ansiosa, para subir num avião novamente depois de anos.

Pensava no quão incrível seria aprender um novo idioma, conviver com pessoas com a cabeça completamente diferente...

A viajem foi longa e muito cansativa, sim, tiveram escalas, antes de chegarmos no nosso destino paramos na Alemanha e apenas depois fomos pra Itália.

Quando chegamos, ficamos num hotel meia-boca, "pagando" de turista e aproveitando um pouco, mesmo estando em pleno inverno e muito frio, porque sabíamos que em poucas semanas eles, papai e mamãe, iriam trabalhar e eu iria para a minha nova escola.

Postava fotos no Instagram com sorrisos felizes e no fundo um tanto sinceros. Estava feliz com o novo começo, mas não estava 100% feliz, uma parte de mim dizia que eu iria cair em depressão, cortar meus pulsos e fazer besteira. A verdade é que nada disso aconteceu, foi apenas uma sensação ruim, nada além disso.

Em 3 semanas a gente tinha conseguido arranjar uma casa, a casa dos meus sonhos, era grande, bem decorada, moderna e tinha a lareira mais linda que eu tivesse visto. Minha mãe disse que a gente deveria fazer umas comprinhas, para que eu começasse o ano letivo com um belo guarda-roupas e também porque eu não tinha muitas roupas de frio. Topei, afinal, nada poderia dar errado, não é mesmo?!

Espero que tenha gostado do primeiro post, o segundo vai ser postado ainda hoje, por isso siga o blog para receber as novidades!

X.O.X.O Anna <3